Padre Ricardo Rezende denuncia violações e cobra memória histórica em audiência na Câmara Religioso e professor da UFRJ destaca vítimas da repressão estatal e empresarial durante a ditadura e reforça a importância da justiça e reparação
Brasília, 8 de abril de 2026 — A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados realizou, nesta quarta-feira (8), uma audiência pública para discutir as violações cometidas contra vítimas da repressão estatal e empresarial durante a ditadura militar brasileira. Entre os participantes, o padre e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ricardo Rezende Figueira, teve papel de destaque ao apresentar reflexões contundentes sobre memória, justiça e direitos humanos.
Coordenador do Grupo de Pesquisa sobre Trabalho Escravo Contemporâneo, vinculado ao Núcleo de Estudos de Políticas Públicas e Direitos Humanos da UFRJ, o padre Ricardo Rezende trouxe à audiência uma análise que conecta práticas repressivas do passado com violações ainda presentes na sociedade brasileira.
Durante sua fala no plenário, o religioso enfatizou que a repressão durante o regime militar não se limitou à atuação estatal, mas contou também com a conivência e, em alguns casos, participação direta de setores empresariais. Segundo ele, essa articulação ampliou o alcance das violações, atingindo trabalhadores rurais, lideranças sociais e populações vulneráveis.
“O reconhecimento dessas vítimas é essencial para que possamos construir uma sociedade verdadeiramente democrática”, afirmou. Ele também destacou que a invisibilização dessas histórias contribui para a perpetuação de injustiças e dificulta avanços em políticas de reparação.
Rezende ainda chamou atenção para a permanência de práticas análogas à escravidão no Brasil contemporâneo, apontando que há uma linha de continuidade entre a exploração do passado e os desafios atuais enfrentados por trabalhadores em condições degradantes.
A audiência reuniu especialistas, representantes da sociedade civil e parlamentares, que discutiram caminhos para fortalecer políticas públicas de memória, verdade e justiça. O depoimento do padre reforçou a necessidade de aprofundar investigações sobre a responsabilidade de agentes públicos e privados nas violações ocorridas durante o período autoritário.
Ao final, ele defendeu que o país avance não apenas no reconhecimento histórico, mas também na implementação de medidas concretas de reparação às vítimas e seus familiares, como forma de consolidar o compromisso com os direitos humanos e evitar a repetição de abusos.
A participação de Ricardo Rezende Figueira foi considerada uma das mais relevantes da audiência, contribuindo para ampliar o debate sobre o papel das instituições e da sociedade na construção de um futuro mais justo e igualitário.