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Manifesto de jovens do Filhos da Nação marca audiência pública sobre acolhimento e transição para a vida adulta, na Câmara Federal

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A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial (CDHMIR) da Câmara dos Deputados realizou, nesta segunda-feira (26), uma audiência pública para debater os desafios enfrentados por adolescentes e jovens que vivem em instituições de acolhimento durante a transição para a vida adulta. O encontro foi proposto pela deputada federal Érika Kokay, após diálogo com a coordenadora do projeto Filhos da Nação (que desde 2017 oferece aulas gratuitas de canoa havaiana e stand up paddle no lago Paranoá para crianças e adolescentes que vivem em instituições de acolhimento e escolas públicas do DF) Gabriela Speziali, sobre os obstáculos enfrentados por jovens ao atingirem a maioridade e deixarem o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento.

A audiência reuniu representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Movimento Além do Acolhimento, Movimento Pró-Convivência Familiar, IPEA, OndaSup, a jornalista Lurian Lula da Silva, Lar de São José, além de integrantes do projeto Filhos da Nação, executado na Lei de Incentivo ao Esporte, pela Associação Brasil Melhor, em Brasília.

Um dos momentos marcantes da audiência foi a leitura do “Manifesto dos Filhos da Nação”, texto construído coletivamente por crianças, adolescentes e jovens participantes do projeto e lido por Stenio Eduardo, o Edu, jovem egresso do acolhimento institucional e hoje monitor do projeto. O documento apresentou reivindicações e reflexões sobre os medos, inseguranças e desafios vividos por quem deixa as instituições ao completar 18 anos. No manifesto, os jovens pedem mais oportunidades de emprego, cursos profissionalizantes, acesso à moradia, fortalecimento das redes de apoio e políticas públicas permanentes voltadas à autonomia e à saúde mental. Também defendem maior participação de adolescentes e jovens na construção das políticas públicas relacionadas ao acolhimento institucional.

“Queremos fazer parte. Queremos oportunidades. Queremos dignidade. Queremos futuro”, destaca o texto elaborado pelos participantes do Filhos da Nação.

Durante sua participação, Gabriela Speziali apresentou os impactos do Filhos da Nação, projeto criado em 2017, que une esportes a remo, como Stand Up Paddle e canoa havaiana, a princípios da psicologia junguiana no atendimento de crianças e adolescentes em acolhimento institucional. Atualmente, o projeto atende mais de 460 participantes regularmente por ano.

Ela destacou que o medo da maioridade surge ainda cedo entre adolescentes acolhidos e reforçou a necessidade de preparação contínua para a vida adulta. “A maioridade chega. Mas a autonomia não vem, necessariamente, junto”, afirmou durante a audiência.

Gabriela também apresentou dados de impacto social do projeto, que apontam avanços no desenvolvimento emocional e social dos participantes após seis meses de atividades, com melhora na convivência, redução de sintomas relacionados à ansiedade e fortalecimento do senso de pertencimento.

Fundador do Projeto juntamente com Gabriela Speziali, Tiago Souza, representou a OndaSup, startup de impacto social responsável pela metodologia do Filhos da Nação. Ele destacou a importância da construção de redes de apoio para garantir que jovens acolhidos consigam permanecer em oportunidades de trabalho e desenvolver autonomia de forma sustentável. Também apresentou resultados de uma parceria entre OndaSup, Neoenergia Brasília e TJDFT voltada à empregabilidade de jovens acolhidos, ressaltando que o desafio vai além da abertura de vagas de emprego.

A audiência pública também destacou a repercussão internacional do tema da transição para a vida adulta de jovens acolhidos. Em 2026, Gabriela Speziali participou da Brazil Conference, em Harvard e MIT, como embaixadora da região Centro-Oeste, levando ao debate internacional a metodologia desenvolvida pelo Filhos da Nação e a necessidade de políticas públicas estruturadas para jovens egressos do acolhimento institucional.

Ao final da audiência, os participantes reforçaram a importância de ampliar o debate sobre pertencimento, saúde mental, empregabilidade e fortalecimento de vínculos como pilares fundamentais para garantir que adolescentes e jovens acolhidos possam construir trajetórias mais seguras e autônomas na vida adulta. Também ficou definido que os representantes dos órgãos e instituições participantes irão construir um documento técnico, baseado nos dados e serviços já existentes, incorporando e valorizando as reivindicações apresentadas no Manifesto dos Filhos da Nação.Debate aconteceu na semana do Dia Nacional da Adoção

Fotos: Laycer Tomaz

Texto: @ciadamensagem

TIAGO SOUZZA #OndaSup

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