Reunião estratégica discutiu segurança jurídica, captação de recursos e tecnologia sustentável para estruturar nova cooperativa indígena no estado.
BRASÍLIA – Em um movimento considerado decisivo para ampliar a autonomia econômica dos povos originários, lideranças indígenas, representantes do governo federal e empresários do agronegócio se reuniram nesta semana na capital federal para discutir a criação da COOPEIMASUL (Cooperativa Estadual Indígena do Mato Grosso do Sul).
O encontro foi conduzido pela presidente do Agro Indígena Nacional, Elisangela Lima, com articulação do conselheiro indígena da entidade Sebastião Terena e participação das lideranças sul-mato-grossenses Lisio Lili e Hilário Kadiwéu. A iniciativa busca estruturar uma cooperativa voltada ao fortalecimento da produção agrícola indígena e à inserção das comunidades nas cadeias produtivas do agronegócio.
Conselheiro Indígena do Agro Indígena Sebastião Terena e empresários.
Alianças estratégicas
A reunião contou com a presença de Roldão Lima, representante do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), sinalizando a abertura de canais institucionais para apoio às iniciativas produtivas indígenas.
O setor empresarial do Mato Grosso do Sul foi representado por Celso Vagas e Márcio Tomazelli, empresários com atuação consolidada no mercado regional e que podem contribuir para a integração da futura cooperativa às cadeias de valor do estado.
Já o Mato Grosso participou com a expertise da JVM Agro, representada por Jarbas Valdir e Aldir Pergher, trazendo contribuições técnicas voltadas à viabilidade logística e operacional de projetos agrícolas de maior escala.
Pautas centrais: do jurídico ao campo
Durante a reunião, os participantes avançaram em discussões consideradas estruturantes para a implantação da cooperativa.
Entre os temas prioritários esteve a segurança jurídica, com a definição da estrutura legal necessária para garantir governança sólida e transparência na gestão da COOPEIMASUL.
Outro ponto central foi a captação de recursos, com a apresentação de estratégias para atrair fundos de investimento e apoio de investidores privados, capazes de impulsionar projetos produtivos nas aldeias.
A agenda também incluiu sustentabilidade e inovação tecnológica. A Abrasocial MT, representada por Claudecir Márcio, apresentou propostas de assessoria técnica voltadas ao reflorestamento produtivo e ao uso de fertilizantes organominerais, buscando aliar produtividade agrícola à preservação ambiental.
Segundo Elisangela Lima, a iniciativa pretende unir tradição e modernização da gestão agrícola.
“A COOPEIMASUL representa um novo capítulo para o Mato Grosso do Sul. Estamos unindo a tradição da terra com a modernidade da gestão e o apoio do capital privado para gerar dignidade e prosperidade”, afirmou.
Próximos passos
Com as articulações iniciadas em Brasília, o projeto agora avança para a etapa de formalização documental da cooperativa e início das consultorias técnicas em território sul-mato-grossense.
A expectativa das lideranças envolvidas é que a COOPEIMASUL se torne um modelo de referência para o desenvolvimento do agro indígena, ampliando oportunidades econômicas nas comunidades e fortalecendo iniciativas semelhantes em outras regiões do país.